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Gilberto Gil chama de 'agressão' fala de padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil em ato na PB

Gilberto Gil fala em ato com padre denunciado por fala contra Preta Gil Gilberto Gil participou, de forma online, de um ato inter-religioso realizado na sede do...

Gilberto Gil chama de 'agressão' fala de padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil em ato na PB
Gilberto Gil chama de 'agressão' fala de padre denunciado por intolerância religiosa contra Preta Gil em ato na PB (Foto: Reprodução)

Gilberto Gil fala em ato com padre denunciado por fala contra Preta Gil Gilberto Gil participou, de forma online, de um ato inter-religioso realizado na sede do Ministério Público Federal (MPF) da Paraíba. O evento também teve a presença do padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa por uma fala contra Preta Gil durante uma missa no ano passado. O ato ocorreu nesta sexta-feira, em João Pessoa, após o religioso firmar um acordo com o MPF para não responder criminalmente pela conduta. Durante o evento, Gilberto Gil classificou como "agressões" as falas do padre Danilo César contra Preta Gil. A declaração foi feita durante o ato de reparação e o religioso pôde acompanhar o momento da fala no auditório do MPF. "Nosso agradecimento pelo ato de reparação a essa agressão que foi feita a esse ato de injustiça que foi perpetrada contra nós, toda nossa família, nossos amigos, parentes. Minha satisfação pelo fato de que a reparação está sendo feita, de que o reconhecimento da agressão, da injustiça, está sendo feita", disse Gil. Gilberto Gil também disse que o ato pode servir como forma de "compreensão civilizadora" de atos que podem ser evitados. Ele chamou o ato de "regenerativo por meio da religião". Ele ainda se referiu diretamente ao padre, ressaltando que espera que a aproximação seja "sincera". "Ao padre, a sua paróquia, a todos que fazem a vida religiosa, também nosso agradecimento, pela aproximação que está sendo proposta, que está sendo feita, que eu espero que seja absolutamente sincera e profunda, como é da nossa parte", disse. O padre não falou durante o ato em João Pessoa e também preferiu não conceder entrevista à imprensa após o evento. Durante a transmissão oficial do evento, feita pelo próprio MPF, é possível notar pelas imagens que o padre devolve um microfone dado para ele e prefere não se manifestar. Apesar do padre não falar, o bispo da Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia onde o padre proferiu as falas sobre Preta Gil, emitiu uma carta aberta para a imprensa e também para o MPF. Na carta, o bispo Dom Dulcenio Fontes de Matos disse que há "interesse institucional da Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso" e que a diocese tem "compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas". Danilo César devolvendo o microfone em evento do MPF, com Gilberto Gil MPF/Youtube A esposa de Gil e madrasta de Preta Gil, Flora, também participou do evento. Ela também agradeceu pela tentativa de reparação. “A gente está aqui para ouvir o perdão do padre, o padre ter reconhecido a injustiça, acho que é assim que se segue”, disse Flora Gil durante a reunião. Gilberto Gil participou do ato inter-religioso de forma online, no MPF Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco Além do próprio padre, de forma presencial, e da família Gil de forma online, houve também a participação no evento de diversas autoridades religiosas, como líderes católicos, protestantes, do candomblé e outras religiões. Acordo do padre com o MPF Padre Danilo César de Sousa Bezerra, de 31 anos Reprodução/Diocese de Campina Grande/Studio Foto Braga O padre Danilo César entrou em acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para não responder na criminalmente pela conduta. O acordo foi homologado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage. Conforme o documento do acordo que o g1 teve acesso, o padre assinou um termo de confissão sobre a conduta de intolerância religiosa e que, caso descumpra os termos da não persecução penal, essa confissão vai valer como "valor de prova" em uma eventual reabertura da ação penal contra ele. Segundo o documento, o padre vai ter que cumprir diversas medidas como requisito da não persecução penal. Entre elas estão o cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados válidos, fazer resenhas sobre livros que tratam do combate à intolerância religiosa e pagar uma prestação pecuniária (espécie de multa), estabelecida em R$ 4.863,00, para uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes. Veja abaixo todos os pontos do acordo do padre com o MPF Leitura e produção de resenhas manuscritas das obras A Justiça e a Mulher Negra (Lívia Santana) e Cultos Afro-Paraibanos (Valdir Lima), preferencialmente capítulo a capítulo, para garantir compreensão geral; Produção de resenha manuscrita do documentário Obatalá, o Pai da Criação; Cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados válidos, podendo somar diferentes cursos, inclusive na modalidade EAD com controle de presença; Até o fim de junho, é obrigatório entregar as 3 resenhas manuscritas e no mínimo 20 horas certificadas de cursos; Pagamento de R$ 4.863,00, em até 5 dias, via Pix para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE); Participação obrigatória em ato inter-religioso com presença de diferentes religiões e familiares de Gilberto Gil. Danilo deve comparecer e articular previamente sua participação com a Procuradora da República. As falas do padre Associação denuncia padre por intolerância religiosa ao citar morte de Preta Gil, na PB O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento. A missa foi transmitida ao vivo pelo Youtube da paróquia de São José, em Areial. O vídeo foi retirado do ar após a grande repercussão nas redes sociais. “Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse. As declarações com cunho de intolerância religiosa também aconteceram em relação aos fiéis para os quais o padre estava presidindo a missa. Ele chegou a se referir a religiões de matriz afro-indígenas como "coisas ocultas" e que desejava "que o diabo levasse" quem procurar essa prática. “E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha", disse A fala foi considerada como preconceituosa pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da instituição, Rafael Generiano, fez um boletim de ocorrência contra as falas do padre por intolerância religiosa à época. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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